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História do Colégio Diocesano Leão XIII


Meio século se passou, desde o dia em que alguns casais corajosos tiveram a ideia de encontrar-se com um Bispo e pedir algo, no mínimo, curioso: que os ajudasse a fundar uma escola. A ideia transformou-se em sonho, e mesmo diante de inúmeras dificuldades, persistiu, cresceu e acabou se tornando realidade.

O desafio de contar esta História, 50 anos depois, não é tarefa das mais fáceis. Não se trata, simplesmente, de um mero registro que contemple datas e nomes de pessoas, mas da tentativa de descrever a trajetória deste sonho, em seus pormenores.

Estudando, analisando documentos, entrevistando, reencontrando pessoas, percebe-se que cada um, em sua individualidade, também contribui com a transformação do mundo, o Homem e a Mulher são os agentes da História.

Caro leitor, nesta breve notícia histórica, você perceberá que ideias, ao nascerem, parecem pequenas, às vezes sem sentido, mas podem fazer a diferença no presente e mudar o futuro. A Equipe do Colégio Diocesano Leão XIII deseja a você uma boa leitura.

No final dos anos 60, o Brasil apresentava uma grande recuperação na economia, sob o governo do general Costa e Silva. Esse grande crescimento ficou conhecido  como “Milagre Econômico Brasileiro”, e coincidiu com o período mais repressivo da ditadura militar no Brasil, chamado de “Anos de Chumbo”. Diante das grandes transformações, apesar da repressão, a realidade brasileira tornou-se mais sofisticada e complexa, exigindo  novas demandas, inclusive no setor educacional.

A cidade de Paranaguá, berço da civilização paranaense, dentro desse contexto brasileiro, também prosperou; cidade histórica, portadora de uma riquíssima cultura, contava ainda com um povo determinado e esperançoso. Nesse cenário, nasceu a ideia de fundar um colégio particular, com uma educação de qualidade e que atendesse o anseio de um grupo de casais, cujos filhos estudavam na Escola Paroquial Nossa Senhora do Rosário, e após o 4º ano primário teriam que se deslocar até Curitiba, para completar seus estudos ginasiais. Até então em Paranaguá só existia o Colégio São José, exclusivo para meninas, e as escolas da rede pública.

Orientados pelo seu diretor espiritual, Padre Armando Russo, o grupo de casais do “Movimento Familiar Cristão” promoveu um encontro com o Bispo Diocesano, na época Dom Bernardo José Nolker, para conversar sobre a situação da educação na cidade, bem como a necessidade da criação de um colégio Católico para meninos. Dom Bernardo acatou a ideia com um pouco de receio, pois o projeto era audacioso para a realidade de uma diocese recém-criada. Mas diante do apelo dessas famílias, e entendendo que a reivindicação era justa, Dom Bernardo consentiu, desde que a nova Instituição de Ensino fosse mista, acolhendo meninos e meninas.

O nome Ginásio “Leão XIII” foi uma sugestão do próprio Dom Bernardo, justificando que dar o nome do Papa Leão XIII a uma escola, seria como um tributo ao primeiro Pontífice do século XX, que marcou a história da Igreja Católica com a Carta Encíclica “Rerum Novarum”, o primeiro compêndio da Doutrina Social da Igreja.

Após muitos estudos de implantação, no dia 30 de dezembro de 1965, foi fundado o Ginásio Leão XIII, e no mesmo ano, foi realizado o primeiro teste de admissão para os alunos que formariam as primeiras turmas no Ano Letivo de 1966.

Mesmo com grande apoio dos Missionários Redentoristas, o Ginásio Leão XIII se consolidou, desde o princípio, como uma Instituição Diocesana, pois além de ter sido fundado pelo primeiro Bispo de Paranaguá, estava inserido nas realidades pastorais da Diocese.

No início nem tudo foi fácil, havia muitos desafios e até dificuldades. Sob direção espiritual do Pe. Armando Russo e do Pe. Eduardo Jackson, os casais: Martina e Mario Perna, Maria Aparecida e Orlando Pachionni; Judith e Ângelo D’Amico; Angelina e Hugo Correa; Ivone e Joaquim Marques; Ruth e Waldomiro Ferreira de Freitas; Julia e Manoel Tramujas; Dilma e Aramis Teixeira, iniciaram a grande batalha para fazer funcionar o “Ginásio Leão XIII”, com boa dose de amor, dedicação e altruísmo. Os pais participavam ativamente do dia a dia do colégio, ajudando na secretaria, na manutenção das salas, coordenando a equipe de professores, e nas promoções com a finalidade de angariar fundos para manutenção da escola.

No primeiro ano de funcionamento, estavam matriculados 90 alunos, divididos em duas turmas de 45 estudantes. O primeiro diretor foi o Padre Estevão Szighety, tendo como pároco responsável pelo colégio, o Padre Eduardo Jackson e o Diretor civil, Dr. Alceu Tramujas. Neste período o cargo de Secretária Geral era ocupado pela Sra. Judith Neves D’Amico. Posteriormente o Pe. Nelson Torres assumiu a direção.

 

Os primeiros professores foram:

Professora Ivone Elias Marques – Língua Portuguesa

Professor Aramis Teixeira – OSPB

Pe. Nelson Torres – Língua Inglesa

Professora Ady Tramujas Sanways – Geografia

Professora Vera Lúcia Toledo – Ciências

Professora Sebastiana Fontes – Matemática

Professora Maria Helena Mendes Nízio – Música

Professor Valdomiro Ferreira de Freitas – História

 

O uniforme cinza e vermelho, foi inspirado no do colégio Ateneu de Curitiba, ideia que foi trazida pela Sra. Judith ao visitar a instituição, trazendo novidades para a recém-inaugurada escola.

Ao longo dos primeiros anos, o Ginásio Leão XIII ocupava o mesmo prédio da Escola Paroquial Nossa Senhora do Rosário, anexo à Catedral Diocesana, e funcionava apenas pela manhã. Ao dividirem o espaço, as duas escolas mantinham um convênio, que permitia que os alunos que terminassem o quarto ano primário, ingressassem diretamente no Ginásio Leão XIII, sem a necessidade do exame de admissão.

A primeira turma se formou quatro anos depois, com apenas 15 alunos, devido ao alto grau de exigência a que eram submetidos. Em pouco tempo a fama de escola séria, exigente e de princípios se espalhou, e o espaço tornou-se restrito, fazendo com que o grupo de casais começasse a pensar em uma ampliação da estrutura. Foi assim que surgiu a ideia de criar uma comissão composta por treze damas que fossem madrinhas do colégio, e promovessem eventos para angariar fundos para a compra de um terreno e a construção do novo prédio.

As primeiras treze damas  foram as senhoras: Judith D’Amico, Angelina Correa e Martina Perna, que faziam parte dos dois grupos. As demais damas eram: Ramza Farah; Deia Veiga; Linda Farah; Odette Bastos Cunha; Nair Veiga; Lúcia Pires; Jesuína (Juju) Silva; Maria Julieta Valêncio; Zilda Freitas Barbosa; Izette Miranda Ramos. Quando algumas saíram por mudança de cidade, entraram Odette Morais; Glacilia  Kotzias; Janette Van Herp; Maria Montigelli e Martina Bianco.  Estas corajosas mulheres, mães de alunos, não mediram esforços para envolver a população, promovendo muitos shows, rifas e festas com esse objetivo. Trouxeram a Paranaguá artistas famosos como: Roberto Carlos, Jerry Adriani, Agnaldo Rayol, e até uma exposição das fantasias de luxo do carnaval carioca.

As damas, que tinham grande influência e representatividade na sociedade parnanguara, conseguiram junto às empresas, que viviam a época áurea do café, investimento suficiente para custear os eventos e ainda ter lucro. Nos dias de festa, se dividiam na limpeza e decoração do ginásio de esportes e salões de vários clubes da cidade, na arrumação das cadeiras e nos bastidores dos eventos.

Após muito trabalho, as damas iniciaram a procura por um terreno ou algum imóvel apropriado para a instalação da escola. Nesta época, toda a área do atual prédio do Colégio pertencia ao “Elite Futebol Clube”. Como o time estava praticamente extinto, o proprietário  resolveu doar o terreno para a construção da escola, mas com a condição de que metade do lote fosse destinada a uma praça, para o lazer dos moradores do bairro. Sendo assim, a prefeitura desapropriou o terreno, abriu uma travessa ao meio e a Praça ganhou o nome de “Duque de Caxias”. Algum tempo depois foi lançada a pedra fundamental do colégio.

Nas décadas de 70 e 80, o educandário foi conduzido pelo Padre Michael Thomás Sheehan, que com o lema “Deus e Pátria”, deu continuidade a esse legado por vinte e um anos. Padre Thomás, conhecido pela competência e seriedade, contou com uma equipe fiel e muito dedicada, tendo como coordenadora a Sra. Lúcia Pires – que também foi uma das treze damas – a professora Ziná Neves e a Secretária Irene Lima da Silva, que continua a trabalhar no colégio, sendo a mais antiga funcionária em atividade.

No ano de 1989, São João Paulo II – Papa na época – elegeu Dom Alfredo Ernest Novak, CSsR, como o segundo Bispo de Paranaguá. Dom Alfredo Novak, nascido em Dwight – Nebraska, a 02 de junho de 1930 foi ordenado sacerdote em 02 de junho de 1956 nos Estados Unidos. Vindo para o Brasil, em 29 de abril de 1958, trabalhou por dez anos como missionário no Estado do Amazonas. De 1968 a 1979 exerceu a função de coordenador dos meios de comunicação social, sendo um dos pioneiros da Campanha da Fraternidade, atuando como Secretário Executivo.

Sua Sagração Episcopal foi no dia 27 de maio 1979 em São Paulo. O lema de Dom Alfredo era “Enviou-me a proclamar a Boa Nova”. Antes de vir a Paranaguá, foi bispo auxiliar da Região Episcopal da Lapa, São Paulo (1979-1989). Em 1991, já como diretor-presidente do Ginásio Leão XIII, Dom Alfredo formou uma nova equipe de trabalho para o comando das atividades da escola.

Para o cargo de diretora pedagógica foi escolhida a Professora e Pedagoga Sra. Roseli Varassin Michaelis; como administradora a Irmã Maria Luengo  Soblechero e para o cargo de Diretor tesoureiro foi convidado o senhor Roberto Fontes, sendo posteriormente substituído pela senhorita Ana Cristina Malechesk. Para a Secretaria escolar foram nomeadas as senhoras Rosely Plaisant da Paz e Silva e Irene Lima da Silva.

Após algumas mudanças, o antigo ginásio teve seu nome modificado, passando a ser denominado Colégio Diocesano Leão XIII, através da Resolução N.º 409/91 – de 30 de janeiro de 1991 – da Secretaria Estadual de Educação, que concedeu também autorização de funcionamento ao Ensino de 2º grau, atual Ensino Médio, tendo como primeiros coordenadores a professora Maria Estelita Chaves e o professor João Rocha, posteriormente a professora Rosana Rocha e atualmente o professor Cesar Augusto Tagliari.

Nesse período, o colégio contou com muitos investimentos, passando por diversas reformas que modernizaram completamente a sua estrutura física. Foi ampliado o número de salas de aula, criados laboratórios, biblioteca, quadras poliesportivas, parques de diversões, capela, cantina, cozinha e novos ambientes destinados aos setores administrativos. No ano de 2003, foi inaugurada uma nova ala, com dois andares.

Além do Ensino Médio, o colégio passou a ofertar em 1995, o Ensino Fundamental I (1ª a 4ª séries), cuja primeira coordenadora pedagógica foi a professora Maria Silvia Muchinski, e atualmente exerce o cargo a professora Varseli Corrêa Farias. Foi implantado, ainda neste mesmo ano, o curso de Educação Infantil, tendo como coordenadora pedagógica a professora Ucraína Moreira de Oliveira. Nesse período a  professora Nagilda do Rocio Antunes Lopes, que esteve na coordenação de Ensino Religioso, desenvolveu vários projetos sociais de arrecadação de alimentos, visitas às creches e asilos de nossa cidade.

Atualmente, o segmento de Ensino Fundamental II tem como coordenadora a professora Rosiane da Costa Russi, dando continuidade ao trabalho de outras profissionais: Maria Silvia Muchinski, Maria Estelita Chaves e Josane Maia Barbosa.

Consciente do seu importante papel social, o Colégio Diocesano Leão XIII desenvolveu diversos projetos para despertar em seus alunos o senso crítico e a capacidade de ajudar aqueles que mais necessitam. Um das mais ousadas iniciativas foi o projeto “educação fora dos muros da escola” que deu origem à Semana Cultural, evento que acontecia a cada dois anos e que reunia grande público.

Sempre valorizando a Arte, a Música e as diversas manifestações culturais de nosso povo, o colégio investiu e fundou a Fanfarra Musical, ganhadora de diversos títulos no Paraná e em Santa Catarina. Foi criado também o conhecido Festival de Dublagem, o FESTIBLAGEM, que durante 14 anos fez a alegria dos jovens da cidade e movimentou, inclusive, a economia local, fazendo parte do calendário de atividades culturais do município.

Em 2006, o Papa Bento XVI aceitou a renúncia por idade de Dom Alfredo Novak, e elegeu como terceiro Bispo Diocesano Dom Frei João Alves dos Santos, O.F.M.Cap, que tinha como lema: “Como aquele que serve”. Como diretor-presidente, manteve a mesma equipe administrativa e pedagógica do colégio, nomeando a Irmã Ana Silvia de Andrade, Franciscana do Coração de Maria, vinda de São Paulo, para reorganizar a Pastoral Escolar. Em 2009, com a aposentadoria da professora Roseli Varassin Michaelis, Dom João nomeou o Professor Padre Vilmar Serighelli, como diretor pedagógico.

Na atual administração, o colégio contou com grandes investimentos na área tecnológica e estrutural. Foram climatizadas todas as salas de aula, nas quais também foram instaladas lousas digitais e projetores multimídia, bem como quadros que dispensam o uso do giz. A capela passou por uma readequação, ganhando dois painéis sacros do missionário e artista, Reinaldo Piccard. Para a comemoração do Jubileu de 50 anos, a fachada do prédio passou por uma ampla reforma, mostrando que o bem acolher é, ainda hoje, uma das grandes preocupações da instituição.

Um grande projeto criado em 2009 foi o FÓRUM DIOCESANO LEÃO XIII, que anualmente debate sobre o tema da Campanha da Fraternidade da CNBB, reunindo lideranças de toda a região litorânea. O Fórum também deu origem a outras iniciativas como o Seminário Antidrogas.

Na área educacional, além de todos os avanços na formação de docentes, foram implantados, sob a coordenação da professora pedagoga Jacqueline Guimbala e do Secretário Geral Rafael Corrêa Farias, os Cursos Técnicos Profissional em Administração, Segurança do Trabalho e Informática com ênfase em WEB, em parceria com a TECPUC, que agora são coordenados pelas professoras Varseli Corrêa Farias e Rosiane da Costa Russi. Neste período foram abertos também o curso pré-vestibular noturno e o Ensino Semi-Integral, e em 2016, o colégio ofertará o Ensino Integral para Educação Infantil.

No dia 9 de abril de 2015, após um período hospitalizado, Dom Frei João Alves dos Santos faleceu, deixando vacante a Sé de Paranaguá. No dia 11 do mesmo mês, o Papa Francisco nomeou como Administrador Apostólico o bispo de São José dos Pinhais, Dom Francisco Carlos Bach, que assumiu a nobre missão de zelar pelo rebanho até que um novo pastor fosse escolhido. Neste período de saudade e espera, a presença de Dom Francisco foi reconfortante, sem dúvida um grande auxílio para esta Igreja particular, que vivia o luto pela morte de seus dois últimos bispos.

No dia 25 de novembro de 2015, o Papa Francisco nomeou Dom Edmar Peron, como o novo Bispo de Paranaguá.

Dom Edmar nasceu em Maringá, no dia 04 de março de 1965. Foi ordenado Diácono por Dom Jaime Luiz Coelho, Arcebispo Metropolitano, no dia 23 de julho de 1989 e foi também por ele ordenado Presbítero, no dia 21 de janeiro de 1990. No dia 30 de dezembro de 2009, foi nomeado Bispo-auxiliar de São Paulo pelo Papa Bento XVI e em 2011, tornou-se membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Liturgia da CNBB.

No ano em que o Colégio Diocesano Leão XIII comemorou seu Jubileu de Ouro, e que a Igreja Católica viveu a alegria da Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, com o início do Ano Santo, a notícia da nomeação de Dom Edmar Peron veio reforçar a todos que Deus, em sua infinita Misericórdia, jamais abandona seus filhos e a sua obra.

A trinta e um de outubro do ano de dois e dezesseis, após pedido de afastamento do Pe. Professor Vilmar Serighelli, o então vigário geral da Diocese de Paranaguá e vice-presidente do Colégio, Pe. José Miguel de Oliveira, assumiu a direção pedagógica do Colégio até 31 de outubro de 2017.

Nessa mesma data, assumem a diretoria pedagógica, Pe. Eliel de Oliveira Venâncio, como diretor pedagógico e Dr. Professor Alessandro Pires Staniscia como vice-diretor pedagógico. A estes nossos sinceros votos de prosperidade em seus novos cargos assumidos, que possam levar a toda comunidade escolar o mesmo amor e dedicação que aqueles  que os antecederam nessa linda jornada.

“Dai graças ao Senhor, porque ele é bom; eterna é a sua misericórdia!” (Sl 117)

Texto: Professora Varseli Corrêa Farias

 

Agradecimentos especiais:

Judith Neves D´Amico

Irene Lima da Silva

Rafael Corrêa Farias